
Revista Mundaréu - Ouro Preto - Minas Gerais
Brasil - Ano 2 - Junho de 2026
Biblioteca de Ouro Preto: Galeria Beatriz Brandão recebe novos nomes durante celebração do Bicentenário de Bernardo Guimarães
Revista Mundaréu, 6 de agosto de 2025

Beatriz Brandão (1779–1868), fundadora da Escola de Moças de Vila Rica e regente de coral, foi uma das primeiras escritoras brasileiras a publicar. Atuou ativamente na vida cultural de Ouro Preto e chegou a se apresentar para Dom Pedro I, em 1825. É patrona da cadeira nº 38 da Academia Mineira de Letras e, ao lado de Bárbara Heliodora, uma das duas únicas mulheres entre os 40 patronos da instituição.
Como parte das comemorações pelos 200 anos de nascimento de Bernardo Guimarães, a Prefeitura de Ouro Preto mobilizou as secretarias de Educação e de Cultura e Turismo para a realização da cerimônia “Galeria Viva: Novos Escritores”, que vai incluir 11 autoras e autores ouro-pretanos na Galeria Beatriz Brandão, da Biblioteca Pública Municipal.
O evento acontece na sexta-feira, 8 de agosto, às 19h, com entrada gratuita, na sede da biblioteca, na Rua Xavier da Veiga, 309, no Centro. A galeria, dedicada à memória literária da cidade, passa a contar com os nomes de Brisa Coelho, JR Magalhães, Otávio Luiz Machado, Alex Bohrer, Valdete Braga, Simone Andrade Neves, Maristela Carvalho, Guiomar de Grammont, Francelina Silami Drummond, Deolinda Alice dos Santos e Terezinha Lobo Leite.
A homenagem reconhece a contribuição desses escritores para a literatura local e fortalece a diversidade de vozes que compõem o cenário cultural de Ouro Preto, em diálogo com o legado de Bernardo Guimarães, cuja obra continua presente no imaginário literário brasileiro.
A programação da noite inclui a abertura da exposição Poesia de Contato: Do Contato pras Ruas, de JR Poeta Marginal, a leitura dramática do conto A Cabeça de Tiradentes, de Bernardo Guimarães, o lançamento do livro Meus 2 e 3... um Romance Erótico, de Tatá Alcazar, além de apresentação musical com o cantor e compositor Zé Miranda.
Bernardo Guimarães
Nascido em Ouro Preto em 15 de agosto de 1825, Bernardo Joaquim da Silva Guimarães se destacou como poeta, professor, jornalista e magistrado. Sua produção ocupa lugar relevante na literatura brasileira do século XIX, e sua obra mais conhecida é A Escrava Isaura, livro publicado pela primeira vez em 1875. O romance ganhou projeção internacional ao ser adaptado para a televisão e exibido em dezenas de países, alcançando grande sucesso especialmente na China, onde se tornou um dos seriados brasileiros mais assistidos.
A memória do escritor também se preserva em sua cidade natal, no imóvel onde viveu, conhecido como Casa Bernardo Guimarães, localizado na rua Alvarenga, no bairro das Cabeças, em Ouro Preto. Construído no século XIX, o prédio abriga atualmente a sede administrativa da Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), onde funciona seu Núcleo de Ofícios, dedicado à formação em técnicas tradicionais de conservação do patrimônio, e também a Biblioteca Murilo Rubião. Bernardo Guimarães faleceu em 10 de março de 1884, também em Ouro Preto.

A Casa de Bernardo Guimarães, atual sede da FAOP, no bairro Cabeças
