Um sonhador imortal:
Márcio Borges na Academia Mineira de Letras
Revista Mundaréu, 23 de janeiro de 2026

Márcio Borges. Foto: Museu da Pessoa
Bastante conhecido por todos nós, Márcio Borges acaba de ganhar mais um capítulo bonito em sua trajetória. Eleito no dia 22 de janeiro de 2026, o poeta, compositor e escritor tornou-se novo imortal da Academia Mineira de Letras, onde passa a ocupar a cadeira nº 29, antes pertencente ao desembargador José Fernandes Filho.
Márcio é o autor da letra de Clube da Esquina, sua primeira parceria com o irmão mais novo, Lô, canção dar nome aos discos e ao próprio movimento que redefiniu a música mineira brasileira a partir de Minas Gerais. Com mais de uma centena de letras musicais em sua trajetória, Márcio também construiu um percurso consistente na literatura. Em 1996, lançou Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina, livro fundamental para a compreensão do movimento. Em 2001, publicou o infantojuvenil Os 7 falcões.
Além das obras autorais, teve participação relevante em outros projetos editoriais. Assinou a tradução de Blackbird Singing, de Paul McCartney, integrou a obra comemorativa Clube da Esquina – 40 anos e é coautor de De Tudo Se Faz Canção – 50 anos do Clube da Esquina, em parceria com o jornalista Chris Fuscaldo.
Ele também organizou Cartas da Humanidade: Civilização Escrita à Mão (Geração Editorial), compilação de 141 documentos históricos produzidos ao longo de cinco milênios, de Zaratustra a Barack Obama. Nesta obra, cartas, bilhetes e manuscritos de figuras centrais da história mundial oferecem um panorama das artes, das ciências e dos conflitos humanos. Segundo o próprio autor, a proposta dialoga com sua trajetória pessoal. Na adolescência, trabalhou como funcionário dos Correios, entregando telegramas por toda Belo Horizonte. “Talvez por eu ter sido estafeta. Dos 13 aos 14 anos, entreguei telegramas na cidade inteira. Vestia um uniforme que parecia de soldado”, relembra.
Sobre o novo integrante
Márcio Hilton Fragoso Borges nasceu em Belo Horizonte, em 31 de janeiro de 1946. É o segundo dos onze filhos de Salomão Magalhães Borges, jornalista autodidata, e Maria Fragoso Borges, professora primária. Assim como outros membros da família, envolveu-se cedo com a música, mas sempre manteve diálogo intenso com o cinema e a literatura.
Durante a juventude, participou da militância política no período da ditadura militar e do movimento Diretas Já. Atualmente, vive em Belo Horizonte e se dedica à direção do Museu Clube da Esquina, do qual é idealizador, reafirmando seu compromisso com a memória, a cultura e a história de Minas.


