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Pigmentos minerais de Ouro Preto inspiram exposição de Sérgio Marzano na Casa dos Contos
Revista Mundaréu, 12 de março de 2026

A relação entre arte e território orienta a exposição do artista visual Sérgio Marzano, que será aberta no dia 2 de abril, às 19h, no Museu Casa dos Contos, em Ouro Preto. Com curadoria de Isadora Bahia, a mostra reúne obras produzidas a partir de pigmentos minerais coletados na própria região, transformando o solo mineiro em matéria pictórica.

A proposta da mostra, intitulada “O Preto do Ouro”, parte da própria origem do nome da cidade. O termo “ouro preto” refere-se ao tipo de ouro encontrado na região durante o ciclo da mineração, recoberto por uma camada de óxido de ferro que lhe conferia tonalidade escura. A pesquisa de Marzano se aproxima desse fenômeno geológico: o artista utiliza ferro, areias, carvão e outros minerais presentes na paisagem local para produzir os pigmentos de suas pinturas.

O processo de criação dispensa pincéis. Pedras e minerais são triturados em pilão até virar pó, depois peneirados e depositados sobre a tela, permitindo que a imagem se forme por sedimentação. O resultado são superfícies construídas a partir da própria matéria da paisagem, aproximando a pintura do território que a origina.

A exposição se organiza em quatro núcleos que apresentam diferentes aspectos da pesquisa do artista: Ferro, Solo, Pó e Fé. O ferro aparece como base histórica e geológica da região. O solo revela a diversidade mineral da terra mineira. O pó, produzido a partir de carvão, evoca incêndios recentes que atingiram áreas naturais de Minas Gerais, como o Parque Estadual do Itacolomi e a Serra da Gandarela. Já o núcleo Fé apresenta uma obra singular: um Cristo formado por pregos e ferrugem, criado em 1998 e exibido agora pela primeira vez.

A mostra “O Preto do Ouro”, de Marzano, permanece em cartaz até 24 de maio, com visitação de terça a sábado, das 10h às 18h, e aos domingos, das 10h às 16h.

O artista Sergio Marzano_edited.jpg

Sobre o artista

Natural de Conselheiro Lafaiete, Sérgio Marzano desenvolve uma trajetória artística marcada pelo diálogo com a paisagem de Minas Gerais. Em sua pesquisa, a terra deixa de ser apenas tema e passa a integrar fisicamente a obra, convertida em pigmento e textura. Ao transformar minerais, areias e resíduos do território em matéria pictórica, o artista constrói pinturas que incorporam a memória geológica e cultural da região.

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