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Tadeu Franco na Revista Mundaréu​

Tadeu Franco

Aniversário

Revista Mundaréu, 22 de junho, 2025

Embora tenha cãs (substantivo feminino plural; significa cabelos brancos) no coco e na cara, não sou velho: estou me transformando em clássico. Segundo o poeta, "clássico é clássico não porque esteja conforme a certas regras estruturais ou se ajuste a certas definições, mas devido a uma certa juventude eterna e irreprimível."

 

Há quem diga que a gente envelhece ao trocar o sonho pelo lamento; daí a decrepitude da alma ser pior que a do corpo.

A esteticista sugere que eu faça luzes no cabelo. Agradeço, comentando que ele carece mais de umas boas trevas; ela concorda ao adotar o procedimento para garantir clientela masculina.

Alguém enviou-me um texto sobre envelhecer dignamente, e eu respondi com infantil sinceridade:

— Velho é quem me chama, seu nariz ratazana!

 

Se perguntam quantos anos tenho, respondo uns 13, pois o resto eu já gastei. Sou sapato usado, mas ainda sirvo. Basta você me calçar, que eu aqueço o frio dos seus pés.

Tadeu Franco aos 12 anos com seu primeiro violão

Tadeu Franco aos 12 anos com seu primeiro violão

Afinal o que o cigano quer?

​Revista Mundaréu,16 de março, 2025

Afinal, o que o cigano quer? Ir ao fim do mundo e depois voltar, porque o seu futuro está no passado. A caravana exul ainda está na estrada. A brava gente cigana ainda está por aí. A procissão dos desterrados vive de sobreviver.

 

A Bíblia tem sido usada por essa gente para justificar sua origem. E Caim gerou Henoc, que gerou Irad, que gerou Maviavel, que gerou Matusael, que gerou Lamec. Este, com Ada, gerou Jabel, que foi pai dos moradores de tendas e dos pastores. Com a outra esposa, Sela, gerou Tubalcaim, que manejou o martelo e foi artífice em toda qualidade de obras de cobre e ferro.

Uns dizem que vieram do Egito, pois faziam joias para o faraó; por isso também são chamados egipsíacos ou faraonos.

 

Etnólogos e antropólogos reforçam a teoria de que a Índia seria a terra de origem, pelo modo de vida, a capacidade espiritual (superstições de signos ocultos e cabalísticos), trajes, ofícios (músicos, ferreiros e adivinhos) e a semelhança com nômades do noroeste da Índia, os laubadies.

Na Grécia medieval, eram chamados atkinganos e, na atualidade, tsinganos, nome de uma seita de músicos e adivinhos (atkingani).

Diz a lenda que o clero justificava o destino cigano por eles terem feito os cravos da crucificação de Cristo. Eles se defendem contando que um cigano deu sumiço no pior cravo, o que deveria ser pregado na testa. Jesus então sussurrou-lhe:


— Sigam seu destino, você e seu povo.


*Com referências ao livro "Os ciganos ainda estão na estrada", de Cristina da Costa Pereira (Editora Rocco)

Ciganos-dominio-publico

Tadeu Franco é cantor, compositor e violonista, com uma voz e estilo que o conectam profundamente ao movimento Clube da Esquina. Em 1982, participou do álbum Ânima de Milton Nascimento, interpretando a faixa "Comunhão" ao lado de Milton e da cantora Simone. Seu disco de estreia, Cativante (1984), teve produção e direção de Milton Nascimento, com arranjos de Wagner Tiso e Túlio Mourão. A musicalidade de Tadeu, com seu timbre único e a sutileza de suas composições, se entrelaça com as raízes do movimento que marcou a música brasileira.

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