
Revista Mundaréu Ano II Agosto de 2026
Ouro Preto MG
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- Ouro Preto | Revista Mundaréu
Wirley Reis é o novo presidente da Fundação de Arte de Ouro Preto Fotos: Arquivos Redes O administrador Wirley Rodrigues Reis foi designado nesta sexta-feira, 25 de janeiro, o novo presidente da Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP). Ele ocupa o posto no lugar de Luiz Henrique Câmara Trindade, que deixa o cargo a pedido. Mais conhecido como Têko, Wirley é ex-prefeito de Itapecerica, MG, e exerceu, por dois mandatos, a presidência da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais. Foi ainda presidente da Associação do Reinado do Rosário, também por dois mandatos. Têko enfrenta agora o desafio de conduzir uma entidade histórica, criada em 1968 por intelectuais de destaque como Vinicius de Moraes, Domitila do Amaral, Murilo Rubião e Affonso Ávila. Em 1969, a FAOP passou a integrar a Escola de Arte Rodrigo Melo Franco de Andrade, fundada pelos artistas Nello Nuno e Annamélia Lopes. Com o restaurador ouro-pretano Jair Afonso Inácio, a FAOP lançou o primeiro curso de formação em conservação e restauro do Brasil. Sobre a nomeação de Têko para a liderança da fundação, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, prefeito de Ouro Preto, comentou: "Ele tem ânimo, disposição e ousadia". Wirley Reis, o Têko, novo presidente da Fundação de Arte de Ouro Preto LEIA TAMBÉM Com patrocínio da Ferro Puro Mineração , roteiro turístico em Minas vai virar livro Rota Jaguara
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Um sonhador imortal: Márcio Borges na Academia Mineira de Letras ENTREVISTA EXCLUSIVA Cristiano Quintino lança livro que revela as origens do Clube da Esquina CINEMA NACIONAL “Nada”, o primeiro longa de Adriano Guimarães, protagonizado por Bel Kowarick e pela mineira Denise Stutz ESPECIAL Clube da Esquina pode virar Patrimônio Imaterial com apoio conjunto de IEPHA e IPHAN
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Vila Galé Ouro Preto recupera vitrais do mestre italiano Gianfranco Cerri Vitralistas renomados restauram obra de Gianfranco Cerri para o Vila Galé Ouro Preto Texto e fotos: Victor Stutz Revista Mundaréu, 28 março 2025 O Vila Galé Ouro Preto , que será inaugurado em maio de 2025, recuperou antigos vitrais do mestre italiano Gianfranco Cerri. São três painéis que retratam a Santa Ceia, obra encomendada pela Congregação Salesiana em 1974, quando o edifício que hoje abriga a nova unidade da rede portuguesa de hotéis, a primeira em Minas Gerais, sediava o renomado Colégio Dom Bosco. Para preservar essas peças, a administração do Vila Galé trouxe a Ouro Preto três conceituados vitralistas: Fernando Felicíssimo e a dupla Mônica Fonseca e Ruy Garcia, do Galpão Arte Mosaico, espaço dedicado à execução de projetos em mosaico e vitrais. Os trabalhos de revitalização da obra de Gianfranco começaram no domingo, 13 de março, e foram concluídos nesta sexta-feira, 28 de março. Segundo Mônica Fonseca, os painéis estavam empilhados, muito danificados e cobertos por uma camada de 51 anos de sujeira. Fernando explica como foi o processo: “Depois de limpos, colamos uma chapa de policarbonato de 6 milímetros na parte de trás dos vitrais. Feito isso , cuidamos de acertar algumas regiões mais afetadas com resina de poliéster e, em seguida, aplicamos sobre os vitrais uma camada de resina epóxi, para embutir e perpetuar a linda obra.”, detalha o vitralista. Fernando, que atuou como aprendiz de Gianfranco em 1975, explica que os vitrais foram produzidos com uma técnica exclusiva desenvolvida pelo próprio mestre italiano: “Nos vitrais que recuperamos no Vila Galé Ouro Preto, Franco usou um método próprio, cortou pequenos pedaços de um metal especial, dobrando-os com alicate e colando-os até formar o desenho completo. Era um processo extremamente artesanal, e os detalhes foram muito bem elaborados.” Ainda como aprendiz, em 1977, Fernando Felicíssimo acompanhou Cerri na fase final de seus trabalhos no Santuário Dom Bosco, um projeto modernista do arquiteto Carlos Alberto Naves. Considerado uma das Sete Maravilhas do Patrimônio Cultural de Brasília, o monumento abriga diversas obras do mestre italiano, incluindo as portas em bronze, o painel da pia batismal e a pintura em acrílico no sacrário. As portas do santuário, fundidas em bronze e representando cenas da vida de Dom Bosco, possuem 40 cm de largura e levaram 10 anos para serem concluídas. Na época, Fernando contribuiu especialmente para a colocação do sacrário. Ruy Garcia, Mônica Fonseca, do Galpão Arte Mosaico; Eduardo Silva, gerente-geral do Vila Galé Ouro Preto; e Fernando Felicíssimo, mestre vitralista que, hoje, mantém seu ateliê em Santa Cruz, ES Eduardo Silva, gerente-geral do Vila Galé Ouro Preto , comentou sobre a situação dos vitrais antes e depois da intervenção: “Os painéis estavam muito degradados e tivemos dificuldade até de transportá-los. Mas, graças ao trabalho dos especialistas, estão agora em excelente estado. Nosso objetivo é preservar o patrimônio que já existia no edifício, e vários elementos históricos presentes no imóvel estão sendo recuperados.” O Vila Galé Ouro Preto é a primeira unidade da rede em Minas Gerais e segue o conceito da marca Vila Galé Collection, que oferece hotéis exclusivos e sofisticados, instalados em locais de grande valor cultural e paisagístico, com ambientação temática. Segundo o gerente-geral Eduardo Silva, a edificação passou por um minucioso processo de restauração para aliar conforto moderno ao charme de sua história. A decoração contará com painéis alusivos à região, pedras preciosas e referências a personalidades históricas. O projeto inclui ainda a criação de dois memoriais em homenagem às instituições que ocuparam o prédio: o Regimento Regular de Cavalaria de Minas (1775), berço da Polícia Militar de Minas Gerais, e o Colégio Dom Bosco, da Congregação Salesiana. Para este último, está sendo produzido um vitral especial, criado por Fernando Felicíssimo em parceria com Mônica Fonseca e Ruy Garcia, do Galpão Arte Mosaico. Gianfranco Cerri - Nasceu em Pisa, Itália, 1928. Muralista, ceramista, pintor, fotógrafo e restaurador, iniciou sua trajetória no ateliê do pai, trabalhando com fotografia, cinema e restauração. Estabeleceu-se em Belo Horizonte em 1951, onde recebeu o Prêmio Medalha de Ouro em Fotografia. Executou murais e restaurações em importantes espaços, como a Via Sacra da Basílica de São José, em Barbacena, e a Catedral de Juiz de Fora. Restaurou painéis de Portinari na Igreja São Francisco e no PIC, em Belo Horizonte. Criou murais para o Mineirão, a Capela da Fundação Israel Pinheiro e a UFMG. Expôs suas obras em diversas galerias, consolidando sua relevância artística. Faleceu em 2008, e Belo Horizonte, MG. Sobre a Rede Vila Galé O primeiro hotel do Vila Galé foi inaugurado em 1988, na praia da Galé, no Algarve, Portugal. Com o sucesso dessa unidade, o grupo expandiu-se, abrindo outros quatro hotéis, e, no início dos anos 2000, atravessou o oceano para o Brasil, com a abertura de uma unidade em Fortaleza. No mesmo período, o grupo lançou um novo segmento de hotelaria em Portugal, com o Vila Galé Alentejo Vineyards & Olive, em Beja, que marcou sua entrada na produção de vinhos e azeites por meio da marca Santa Vitória, que comercializa produtos típicos do Alentejo desde 2002. Entre 2002 e 2020, inaugurou outras 19 unidades em três países: 12 unidades em Portugal, 6 no Brasil e 1 em Cuba. Em 2024, o grupo chegou à Espanha com a abertura do Vila Galé Isla Canela, em Huelva, e, no mesmo ano, em Portugal, lançou o Vila Galé Collection Figueira da Foz, um hotel de luxo instalado em um edifício histórico à beira-mar. Em vias de completar 40 anos, em 2026, o Vila Galé é considerado o segundo maior grupo hoteleiro português. Ao todo, são 45 unidades espalhadas pelo mundo: 32 em Portugal, 11 no Brasil, uma em Cuba e outra na Espanha. Com a recente inauguração de mais uma unidade no Brasil, a primeira em Minas Gerais, em Ouro Preto, o Vila Galé passa a administrar, ao todo, cerca de 10 mil quartos, 25 mil camas e mais de 5 mil funcionários. Ruy, Fernando, Mônica e Victor (Revista Mundaréu) em frente à portada do Vila Galé Collection Ouro Preto, escultura atribuída a Antônio Francisco Liboa, o Aleijadinho
- Ouro Preto | Revista Mundaréu
OURO PRETO RESTAURA TEMPLO COM OBRAS DE ALEIJADINHO E ATAÍDE Até pouquíssimo tempo atrás, o destino da igreja histórica, construída entre 1771 e 1793 em honra ao Bom Jesus de Matosinho e São Miguel e Almas, em Ouro Preto, parecia incerto. Este magnífico templo, que ostenta em sua fachada uma escultura atribuída a Antônio Francisco Lisboa e, no interior, pinturas de Manuel da Costa Ataíde, foi interditado às pressas em 2014 para evitar uma tragédia. De lá para cá, foi preciso improvisar um escoramento em sua portada, onde a escultura em pedra-sabão atribuída ao Mestre Aleijadinho agonizava, trincada. No adro da igreja, outro escoramento manteve de pé outro monumento, um chafariz esculpido em pedra do Itacolomi com uma inscrição com a data de sua construção: 1763. A mobilização Mesmo com os recursos para a restauração aprovados pelo governo federal, várias questões impediram por dez anos o início das obras e, com a demora, a verba liberada quase se perdeu. A situação só começou a mudar recentemente, graças à união de esforços da comunidade em conjunto com a Prefeitura de Ouro Preto e entidades de preservação do patrimônio histórico. Essa mobilização resultou, em julho deste ano, no início do das obras na Igreja. Felizmente, ainda em tempo, pois os problemas estruturais da edificação surpreenderam até a própria equipe de restauradores, pois não apenas a fachada, mas toda a estrutura corria risco de desabar a qualquer momento. A Revista Mundaréu registrou o início das obras na Igreja do Bom Je sus (setembro 2024) . Confira as imagens: Foto: Revista Mundaréu - Setembro 2024 Foto: Revista Mundaréu - Setembro 2024 Chafariz escorado Foto: Revista Mundaréu - Setembro 2024 Foto: Revista Mundaréu - Setembro 2024 1/9 Poucos meses atrás, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) firmou um Termo de Compromisso com a Prefeitura de Ouro Preto para o restauro, que faz parte do “Novo Programa de Aceleração do Crescimento”. Inicialmente, serão investidos, cerca de R$ 4 milhões em obras estruturais para garantir a integridade do monumento: reforma do telhado, reforço da estrutura da edificação, esquadrias, alvenarias, sistema de drenagem, pisos, forros, estrutura do muro frontal e do muro lateral. Um projeto de contensão da encosta localizada no entorno do monumento e a recuperação do chafariz e do adro são intervenções que também deverão ser executadas, posteriormente. No projeto, o portão principal, que chegou a ser alterado para atender as demandas de um colégio que funciona ao lado, retornará ao seu local origem, ou seja, em frente à Igreja. Por fim, depois das obras estruturais, Por fim, após as intervenções necessárias para garantir a estabilidade física da estrutura, será feita a recuperação dos elementos artísticos: esculturas, pinturas, ornamentos e todos os elementos de valor histórico e artístico. A previsão de conclusão das obras na Igreja do Bom Jesus é de cinco anos, ou seja, em 2030. O incidente que quase levou o pároco ao encontro com o Criador Delcia Maria do Carmo Soares, conhecida por todos como Dona Dó, tem 93 anos e frequenta a igreja do Bom Jesus desde criança. Ela estava presente quando ocorreu o primeiro sinal de um possível desabamento: “Um dia o padre estava celebrando a missa e ele gostava de conversar com o povo. Ele desceu para o meio da igreja para conversar com o pessoal e, nessa hora, caiu uma telha de uma altura danada que passou raspando nele, assim. O padre Marcelo, que também estava lá, falou - não pode não, gente, não pode, quase que nós perdemos o padre aqui! E mandou fechar a igreja.” Dona Dó participou ativamente da luta para salvar a igreja e contou pra gente os combinados da comunidade com as autoridades sobre os trabalhos de restauração. “A gente pediu pessoas de Ouro Preto trabalhando, porque não adianta trazer gente de fora, que não sabe nada da igreja, só para colocar dinheiro no bolso e depois ir embora. Isso nós conseguimos, na hora, veio até uma filha do doutor Celso, morador do Rosário. E eles até falaram que estavam felizes de estarem ali e que dariam o sangue pra fazer o serviço.” Dona Dó já antecipou até os planos para a primeira Festa do Bom Jesus depois da reinauguração: “ Na festa, quando a igreja voltar a funcionar, vai ter pastel, vai ter caldo, vai ter qualquer tipo de salgado. As barraquinhas, nós vamos fazer uma para os escoteiros, outra para o pessoal do catecismo, pra todo mundo que quiser ajudar! Ah, eu ainda quero receber a benção do Senhor Bom Jesus lá dentro, na Igreja restaurada.” AGRADECIMENTOS: SARA SOARES Clique para fazer um PASSEIO NAS CABEÇAS
- Ouro Preto | Revista Mundaréu
Festa de São Gonçalo e Cavalhadas Amarantina, Ouro Preto, MG A comunidade de Amarantina, distrito de Ouro Preto localizado a 30 km da sede, realiza em setembro uma tradição centenária em honra ao padroeiro do lugar. Na "Festa de São Gonçalo e Cavalhadas", os participantes encenam a luta entre o exército de Carlos Magno, representado pela cor azul, e o exército do Sultão de Constantinopla, representado pela cor vermelha. A disputa só termina quando a princesa Floripes, filha única do rei mouro, após ser raptada em seu castelo por um soldado cristão, para salvar seu povo da guerra, se converte ao cristianismo e convence seu pai a fazer o mesmo. Organizada pelos festeiros locais e pela "Associação dos Cavaleiros Mestre Nico de São Gonçalo", a festa é considerada patrimônio cultural e imaterial de Ouro Preto desde 2011. Amarantina é um distrito de Ouro Preto, situado às margens do Rio Maracujá. Acredita-se que o povoado tenha surgido em meados do século XVIII e seu território, antigamente, envolvia também a região onde hoje está localizado o distrito de Cachoeira do Campo. Recebeu o nome de Tijuco e, mais tarde, com a chegada de uma imagem sacra trazida de Amarante, Portugal, passou a ser chamado de São Gonçalo do Tijuco, ou São Gonçalo do Amarante. Na década de 1940, o nome foi mudado para Amarantina. A localidade tem como principais atrativos a Igreja Matriz de São Gonçalo e a Casa de Pedra, ou Casa Bandeirista, uma construção que, em razão de seu estilo arquitetônico, é atribuída aos primeiros bandeirantes que chegaram na região. Hoje a casa abriga um Centro de Memória com registros históricos do distrito. Fotos de Ane Souz
- Revista Mundaréu
Marcelo Xavier, o folião das artes e da inclusão Marcelo Xavier e o Carnaval de Ouro Preto O carnaval de Ouro Preto já foi representado de muitos jeitos, mas poucos conseguiram captar sua essência de forma tão lúdica e poética quanto o artista visual e poeta Marcelo Xavier. Em seu livro Festas - O Folclore do Mestre André , ele moldou, com massinha, personagens dos blocos carnavalescos da cidade histórica mineira. Marcelo foi frequentador assíduo do carnaval ouro-pretano, vinha de longe para participar do BAFO – o tradicional Bloco Bandalheira Folclórica de Ouro Preto – um dos muitos que animam as ladeiras da cidade. Marcelo retratou vários blocos do Carnaval de Ouro Preto em seu Livro "Festas - o folclore de Mestre André". Feitos de massinha, cada bonequinho, com cerca de 3 a 4 centímetros, sintetiza a magia e a diversidade da grande festa ouro-pretana. Marcelo Xavier e o Todo Mundo Cabe no Mundo, o maior bloco inclusivo de todos os tempos Em 2005, Marcelo foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa dos neurônios motores. Apesar das limitações impostas pela condição, sua paixão pela folia permaneceu inabalável. Em 2011, ele idealizou e fundou o bloco Todo Mundo Cabe no Mundo , em Belo Horizonte, o maior bloco inclusivo já criado. Com a bandeira do preconceito zero, a agremiação é aberta a todos, especialmente a pessoas com deficiência e dificuldades motoras, reforçando a ideia de que o carnaval é um espaço democrático, gratuito e acessível. Em suas palavras: "Nossa ideia de carnaval sempre foi a de afirmação da festa como manifestação folclórica – a maior do país – ou seja, popular, democrática, gratuita e aberta ao livre espaço da rua em que todos os cidadãos se sintam convidados a participar. Parece-nos viver a realização de um sonho. Festa popular sem inclusão absoluta é um contrassenso. Conhecemos bem o grande inimigo do ideal de inclusão social: o preconceito. Mas sabemos da força de armas como a arte, o folclore, a alegria e o compartilhamento no combate a esse inimigo. Nosso carnaval tem essas armas, e é com elas que botamos nosso bloco na rua: Todo Mundo Cabe no Mundo – pela paz, pela diversidade e pela liberdade ." Bloco Todo Mundo Cabe no Mundo, criado por Marcelo Xavier - Desde 2011, arrasta multidões no Carnaval da Capital
- Parceiros | Revista Mundaréu
A Revista Mundaréu, primeira Revista Digital de Turismo, Cultura e Artes da Região dos Inconfidentes, passa a operar em rede com o site da jornalista Valéria Monteiro , em São Paulo. Com essa parceria, a arte e a cultura de Minas Gerais ganham a interlocução de uma das mais renomadas profissionais do jornalismo nacional — a jornalista que fez história ao quebrar paradigmas nos telejornais da TV Globo entre 1986 e 1993. Primeira mulher no elenco de apresentadores do Jornal Nacional, Valéria foi apontada, em 1992, como a jornalista de maior credibilidade da TV brasileira pelo Instituto DataFolha. Ora-pro-nóbis, rogai por nós (e crescei também!) Valéria Monteiro 24 de março 2025 Me disseram que a ora-pro-nóbis era praticamente uma praga — daquelas que pegam fácil, se espalham sem cerimônia e viram cerca-viva em pouco tempo. Com essa fama, achei que a minha fosse dominar o jardim rapidinho. Mas não. Está ali, quieta, num vaso grande, semelhante ao do meu abacateiro, que, por sua vez, cresce cheio de força e vitalidade. Ela, não. Ainda tímida, parece estar escolhendo o momento certo de se revelar. Ou será que essa planta só vai pra frente quando tem uma cerca para se agarrar? Plantei a ora-pro-nóbis em casa não só pela curiosidade, mas porque ouvi falar dos seus efeitos benéficos para o sistema de defesa do nosso corpo — e isso nunca foi tão importante quanto agora. Minha neta começou a ir à escola. E, como toda avó sabe (e sente), o primeiro ano é aquele em que o sistema imunológico ainda está aprendendo a se virar sozinho. A contaminação é constante, os resfriados se revezam entre os coleguinhas e a família inteira acaba sofrendo junto. Mas ninguém deixa de abraçar a criança, claro. Além disso, venho buscando cada vez mais fontes de proteína que não sejam de origem animal. Por gosto mesmo. E a ora-pro-nóbis é uma das campeãs nesse quesito. Rica em proteínas, fibras, ferro, cálcio, magnésio e vitaminas, essa planta nativa da América Tropical já foi chamada de “carne dos pobres” — e não é à toa. Estudos da Universidade Federal de Viçosa comprovaram seu valor nutricional e seu potencial para fortalecer a imunidade. Ora-pro-nóbis O amigo Victor Stutz, da revista Mundaréu, conta com poesia uma lenda mineira que pode explicar a origem do nome: dizem que padres da Serra do Caraça usavam a planta como cerca-viva e proibiam os fiéis de colher suas folhas. Mas o povo, esperto, aproveitava os momentos de missa para pegar algumas escondido. Daí, talvez, o nome Ora pro nobis — “rogai por nós”, em latim. Hoje, a ora-pro-nóbis vai muito além do improviso: está nos cardápios de restaurantes sofisticados em cidades como Ouro Preto, Mariana e Tiradentes. É estrela em pratos com linguiça, costelinha, marreco, carne moída… Em Sabará, MG, ela ganhou até um festival gastronômico que celebra seu valor cultural e alimentar. Enquanto minha plantinha decide se cresce ou apenas me observa, sigo cuidando dela com carinho. Talvez ela só precise de tempo. E, como tudo que é bom, virá quando estiver pronta. Quando florescer, já sei: vai ter panela esperando por ela. Você sabia que… A ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) também é conhecida por outros nomes populares, como orabrobó, lobrobó e lobrobô? Apesar de ser uma cactácea, possui folhas verdes, carnudas e comestíveis — algo raro entre os cactos. É uma planta rústica, resistente, e uma excelente alternativa alimentar para quem busca saúde, sabor e menos dependência da proteína animal. >>> Confira na página ‘Comer & Beber’, do site da Valéria, uma receita deliciosa de frango com ora-pro-nóbis Foto de Deiwison Xavier (Ouro Preto, MG) O Sotaque que Transita Entre Fronteiras. Por Valéria Monteiro para Revista Mundaréu 23 de Março de 2025 Embora Campinas fique bem pertinho de Minas, o estado é grande, e a fronteira sul já carrega uma cadência mineira forte — mas com um “R” final que se aproxima mais do que se ouve no interior paulista. Em Belo Horizonte, o “R” é gutural, arranhado lá no fundo da garganta, como um eco francês ou alemão. Já nas falas campineiras, o “R” é retroflexo, o famoso “R caipira”, vibrante e com a língua enrolada, tão típico que parece quase uma assinatura cultural. Nasci em BH, mas nunca morei de fato em Minas. Apesar dos dois meses de férias que passava lá todos os anos, não sei se daria para dizer que cheguei a morar. Ainda assim, as raízes estavam firmes: meus pais nasceram e cresceram em Minas, e a maior parte da nossa família continua por lá. Eles tinham um orgulho imenso do seu sotaque “belorizontino”, que não por acaso foi eleito recentemente o mais charmoso do país. Esse orgulho se refletia em mim — eles faziam questão de que eu falasse como eles, mesmo quando comecei a estudar em Campinas e os sons ao meu redor queriam me puxar para outros ritmos. A infância não é exatamente gentil com as diferenças. O que hoje chamamos de bullying, naquela época era um teste de sobrevivência — e para mim, isso incluiu aprender a sustentar a maneira como eu falava. As piadas, imitações e olhares enviesados me ensinaram, sim, a ter casca grossa. Mas foi o respeito e o amor dos meus pais pelo jeito mineiro de falar que realmente moldaram minha resistência. Entre a vergonha e o pertencimento, fiquei com o segundo. Cresci achando bonito o sotaque carioca do meu avô. Tentava imitar o chiado, o gingado das palavras, e até buscava justificativas para adotar aquele som. Morei quase uma década no Rio e desenvolvi um senso profundo de pertencimento à cidade — mas o sotaque, mesmo com todo convívio, nunca me pegou. Nunca foi um esforço para evitar, simplesmente não aconteceu. Meu sotaque ficou misturado, mais sutil, com nuances adquiridas aqui e ali, mas ainda reconhecivelmente parecido com o dos meus pais. Minha filha, nascida em Campinas, viveu parte da infância no Rio e passou uma década em, onde foi alfabetizada. Quando voltamos a Campinas, ela carregava um sotaque americano que era, ao mesmo tempo, adorável e cômico. Lembro do nosso espanto e das gargalhadas com o nome de um novo colega de escola: Arthur — não pela dificuldade de pronunciar com o sotaque americano, mas porque o jeito abrasileirado, com o “R” gutural que ela tinha aprendido de mim, soava confuso demais para os próprios ouvidos. O “TH” em inglês, pronunciado com a língua entre os dentes, foi um dos maiores desafios. Para nós, brasileiros, era difícil de aprender, mas para ela, o que parecia engraçado era justamente a confusão de entender o que os outros diziam, sem saber exatamente como pronunciar. Com o tempo, foi surgindo nela um sotaque híbrido, só dela, mas parecido com o meu — um “R” mineiro, gutural, salpicado de gírias campineiras. Como se, no fim, a voz da casa tivesse mesmo um campo gravitacional próprio. Sotaques são muito mais que jeito de falar — são identidade, são memória. Carregam histórias, valores, afeto. E também provocam reações. Em uma aula brilhante sobre moralidades cotidianas, o professor Paul Bloom, da Universidade Yale, apresentou um estudo marcante: enquanto bebês não demonstravam qualquer rejeição baseada na cor da pele, reações de estranhamento e até recusa surgiam ao ouvirem diferentes sotaques. O que parecia “familiar” ou “diferente” estava, antes de tudo, na voz. No som. Lembro de ouvir meu pai dizer que, na época das telefonistas, ligava para a Bahia só para escutar o sotaque das atendentes. Aquilo me causava um desconforto difícil de nomear. Talvez fosse ciúme cultural. Ou só a estranheza de ver alguém se encantar por uma voz que não era a da própria casa. Me parecia uma espécie de traição — como se, mesmo sem intenção, ele flertasse com um jeito de falar que não era o nosso. Como se a beleza de outro sotaque ameaçasse o pertencimento que ele mesmo tanto valorizava. A convivência com diferentes sotaques é uma das maiores riquezas de viver em um país como o nosso. Ela nos desafia a escutar melhor, a compreender o outro com mais generosidade. Mais ainda: essa diversidade sonora estimula a cognição, amplia vocabulários, revela modos únicos de pensar o mundo. É como se cada sotaque fosse uma lente nova para ver a realidade. Se cada língua carrega uma cultura inteira, cada sotaque revela o território emocional de um povo. O meu — que começou mineiro, passou por Campinas, viveu o Rio, ecoou Nova York pelos ouvidos da minha filha e continua em trânsito — é um mosaico afetivo. E que bom que seja assim: híbrido, enraizado e ainda em transformação. >>> Conheça e siga o novo Caderno Turismo&Viagem do site da autora As mulheres (in)visíveis da Inconfidência Mineira Valéria Monteiro para Revista Mundaréu 11 de Março de 2025 Março chegou, e com ele o mês das Mulheres. Aproveitando também a nova parceria do site com a revista Mundaréu, achei mais do que justo dedicar este espaço a contar um pouco sobre as mulheres que estiveram envolvidas — direta ou indiretamente — na Inconfidência Mineira. Essas histórias raramente ganham destaque, mas merecem (e muito!) ser lembradas. Quando a gente pensa na Inconfidência, logo vem à mente Tiradentes: a barba, a forca, o discurso pela liberdade. Mas e as mulheres? Onde estavam? O que viveram, o que sentiram, enquanto seus companheiros, filhos, pais ou irmãos conspiravam contra o domínio português? A verdade é que a história sempre deu mais palco pros homens. As mulheres, como em tantos outros momentos, foram jogadas para os bastidores. Mesmo assim, estavam lá. Resistindo, amando, sofrendo e, muitas vezes, agindo com uma coragem que ninguém ensinou nos livros da escola. Sebastiana e as outras Quase ninguém fala da Sebastiana, amante de Tiradentes e mãe de sua filha. Não está nos livros didáticos, mas existiu. Imagina viver à sombra de um homem que virou herói ou traidor, dependendo de quem conta a história. Como foi pra ela criar uma filha com esse peso? Enfrentar o julgamento silencioso (ou nem tanto) das pessoas ao redor? Essas perguntas ficam no ar, mas o silêncio também fala. Ou então a Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, mulher forte que apoiou financeiramente a Inconfidência. Ela não estava ali só como expectadora — se envolveu de verdade. Como tantas outras, desafiou o que se esperava de uma mulher da época e pagou o preço. Porque sim, as mulheres da Inconfidência também foram punidas. Só que de formas menos visíveis. Suas dores foram ignoradas, seus nomes esquecidos, seus atos de coragem varridos pra debaixo do tapete da história. Enquanto os homens tiveram seus nomes gravados em praças, avenidas e monumentos, elas ficaram no esquecimento — e isso também é um tipo de castigo. E mesmo hoje, pra sermos reconhecidas, parece que ainda temos que ser Joanas d’Arc — sofrer, resistir, provar mil vezes nosso valor. E quando enfim nos aplaudem, é como se fosse um prêmio por termos sobrevivido ao fogo. Mas essa conversa fica pra um próximo post. Por enquanto, que fique claro: as mulheres estavam lá. E seguem aqui. Se você também acredita que a leitura pode abrir caminhos e nos ajudar a enxergar melhor o mundo (e a nós mesmas), deixo aqui uma dica valiosa: o livro Independência do Brasil – As mulheres que estavam lá, organizado por Heloísa Starling e Antônia Pellegrino, publicado pela editora Bazar do Tempo. São histórias de figuras como Bárbara de Alencar, Maria Felipa de Oliveira, Maria Quitéria, Dona Leopoldina, entre outras. Mulheres incríveis, corajosas, inspiradoras. A gente precisa aprender a se ver na história. A reconhecer as que vieram antes, a entender nosso papel agora, e a deixar espaço pra quem ainda vai chegar. Só assim vamos mudar, de verdade, o reconhecimento das mulheres que foram, que são e que serão — nossas heroínas. >>> Leia também, no site da Valéria: Oito de Março: Celebração, Reflexão e Ação A Diáspora Mineira: Entre a Saudade e a Reinvenção Valéria Monteiro para Revista Mundaréu 06 de Março de 2025 Minas Gerais sempre foi um estado de partida. Desde os tempos do ciclo do ouro, quando aventureiros seguiam para outras terras em busca de novas riquezas, até os dias de hoje, em que os mineiros saem de suas cidades em busca de oportunidades, seja no Brasil ou no mundo. A diáspora mineira não é um fenômeno recente, mas continua a moldar identidades e a criar laços entre Minas e os muitos destinos de seus filhos espalhados pelo globo. Minha família faz parte dessa história. Eu moro em Campinas, no interior de São Paulo, e já ouvi dizer que é a quarta cidade do Brasil com maior número de mineiros entre seus habitantes. E faz sentido, Campinas fica bem próxima da fronteira Sul de Minas. Quem já conviveu com mineiros fora de Minas sabe que eles nunca deixam para trás sua terra completamente. Leva-se o sotaque, as expressões típicas, o gosto pelo queijo e pelo café coado, a habilidade de contar causos e, acima de tudo, o jeitinho desconfiado que logo se transforma em amizade sincera. Minas é, antes de tudo, um estado de espírito, e isso viaja junto com cada um que parte. A motivação para sair varia. Jovens buscam universidades e novos desafios, profissionais se deslocam para centros econômicos mais dinâmicos, artistas encontram espaço em grandes cidades culturais. Mas o que muitos não percebem é que, ao partirem em busca de oportunidades, levam consigo outras tantas que já possuíam: a força do trabalho, a criatividade, a hospitalidade e um olhar único para o mundo. Minas não é um lugar de onde se foge, mas um celeiro de talentos que se expandem para além de suas montanhas, enriquecendo os lugares por onde passam. Não por acaso, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília têm comunidades mineiras fortes e ativas. No exterior, mineiros se destacam nos mais diversos campos, levando a hospitalidade e a competência que são marcas registradas. Minas aprende com a vivência da diáspora, absorvendo novas influências, e, ao mesmo tempo, os lugares que recebem os mineiros se beneficiam da rica cultura da terra, facilmente reconhecida pelos filhos das montanhas e que conquista simpatia e admiração de quem não é mineiro. Seja na culinária, na música ou na moda, há sempre um toque especial que faz com que algo vindo de Minas seja único. No vestir, por exemplo, há um charme recatado, uma ousadia singela que equilibra tradição e modernidade. O bordado delicado, o corte impecável das peças, a valorização do feito à mão e a atenção aos detalhes fazem da moda mineira uma referência nacional e internacional, assim como tantas outras manifestações culturais do estado. Mas Minas nunca deixa de ser lar. Quem vai, sempre volta, nem que seja em memória, nos sabores e nas músicas que trazem um pedaço das montanhas para onde quer que estejam. E talvez seja isso que faz da diáspora mineira tão especial: ela não é um abandono, mas uma expansão. Minas se espalha pelo mundo sem jamais se perder de si mesma. E hoje, celebramos um novo capítulo dessa história. A parceria entre meu site e a revista Mundaréu surge como uma ponte entre os mineiros que partiram e aqueles que, de alguma forma, foram contagiados pela diáspora. Uma aliança que abre espaço para a cultura, a memória e a identidade mineira serem compartilhadas e ressignificadas, reunindo aqueles que encontram em Minas, mesmo à distância, um ponto de conexão. E, com esta nova relação, faço o caminho contrário e me aproximo dessas raízes que sempre me orgulharam tanto. Quem sabe, por meio dessa troca, possamos continuar espalhando as montanhas pelo mundo, sem jamais deixarmos de ser Minas. >>>Visite o site da jornalista
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Revista Mundaréu é o site oficial da Mundaréu Produções PROJETO ESCOLA EM CENA "O EMPREGO DA LUA" A G E N D A DIA 26 DE SETEMBRO, 10 HORAS, NO CORPO ESCOLA DE DANÇA (Festival Dança em Setembro) Avenida Bandeirantes, 866, Mangabeiras - Belo Horizonte, MG Livro da Lua renasce em Ouro Preto e pode ser solicitado em todo o Brasil PROJETO ESCOLA EM CENA "O Emprego da Lua" O livro e o Autor na sua Escola O Emprego da Lua Depois de ser lançado em Ouro Preto, livro de teatro para crianças será apresentado na mostra "Dança em Setembro", do Corpo Escola de Dança O livro da Lua chegou! São 58 páginas de teatro e diversão, em português e também em inglês, tudo feito em família, com muito amor, para a criançada ler, brincar, ensaiar e curtir bastante! ATIVE O SOM A PEÇA DA LUA 1988 – Registros da apresentação em Ouro Preto no Cine Teatro Vila Rica e no Ginásio da Alcan, no Natal das famílias dos funcionários da fábrica Elenco: ciranças do Colégio Marista Dom Silvério Músicas: Eldon Moreira e Victor Stutz Arranjos: Chiquinho Amaral Cenário: Gilberto de Abreu Direção de vídeo: André Alves Pinto e Sérgio Franco Victor Stutz na Galeria Beatriz Brandão de Escritores Ouro-pretanos Projeto Prosear Encontro na Casa de Ópera de Ouro Preto marcou a estreia da Mundaréu Produções Roteiro Turístico Livro escrito por Victor Stutz é lançado com a presença de personagens reais da história > Sobre a Mundaréu
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Revista de Educação, Cultura e Artes - Leia as matérias e teste seus conhecimentos em nossos quadros interativos I Ching Mineiro Plataforma divertida para reflexões sobre dúvidas INSTRUÇÕES Em um local tranquilo, concentre-se na pergunta que deseja lançar. Clique no mundo para consultar e aguarde a resposta. Reflita sobre o texto que I Ching Mineiro escolheu para você. Faça até duas consultas para a mesma pergunta. Repita apenas se o jogo recomendar. Alerta importante: Cada previsão vem acompanhada da sugestão de uma canção dos Beatles , para inspirar ainda mais as soluções dos dilemas do dia a dia. Faça bom uso, mas evite amolar o I Ching Mineiro com perguntas tolas. Ele pode se irritar. Concentre-se na pergunta CLIQUE NO MUNDO Aguarde a resposta SUA RESPOSTA VIRÁ AQUI I Ching ganha versão mineira em plataforma divertida para reflexões sobre dúvidas O “I Ching Mineiro ”, a plataforma lançada recentemente no site da Revista Mundaréu, apresenta possibilidades de reflexão sobre dúvidas do cotidiano em uma adaptação contemporânea do milenar Oráculo Chinês. O projeto segue a nova proposta da Mundaréu, que é dedicar-se mais ao trabalho livre com arte-educação do que propriamente com notícias. O “I Ching Mineiro ”, que estreia essa nova fase, é um jogo literário criado pelo escritor, jornalista e professor de arte Victor Stutz. Ele transformou um dos livros mais antigos do mundo em uma ferramenta lúdica e próxima da realidade atual, quando as pessoas estão acostumadas aos textos curtos das redes sociais. A ideia nasceu de um momento delicado. Pai de duas crianças pequenas, Victor enfrentou uma situação crítica de saúde e decidiu criar um instrumento que pudesse servir como guia para os filhos, caso não pudesse acompanhá-los no futuro. Para isso, recorreu ao clássico I Ching, utilizando como principal referência a tradução de Richard Wilhelm, considerada uma das traduções mais prestigiadas no Ocidente e famosa pelo prefácio do psicólogo Carl Jung. “O I Ching original é gigantesco e complexo, tem 64 hexagramas e centenas de textos explicativos. Na minha versão, sintetizei esse material em 57 textos pequenos, todos inspirados nessa tradição milenar. Minha maior preocupação foi eliminar qualquer sugestão que parecesse pessimista ou sem saída. Fiz isso para garantir que nenhuma as resposta as respostas sorteadas na brincadeira indicassem sempre caminhos positivos ”, afirma o autor. O “I Ching Mineiro ” resgata uma tradição que atravessa milênios. Segundo a história chinesa, os primeiros símbolos, os trigramas, foram criados pelo lendário imperador Fu Hsi a partir da observação dos padrões da natureza. Por volta de 1000 a.C., reis da dinastia Zhou organizaram os textos que deram origem aos hexagramas e, séculos depois, o filósofo Confúcio ajudou a consolidar a obra como uma importante referência da sabedoria oriental. O projeto teve inicialmente uma versão impressa com tiragem limitada e agora chega reformulado ao ambiente digital. Para tornar a proposta ainda mais atraente, Victor decidiu incluir, em cada interpretação do oráculo, a indicação de uma música dos Beatles. Segundo ele, as canções do grupo britânico também carregam mensagens universais que ajudam a ampliar a experiência de reflexão. A versão online simplifica totalmente a forma de consulta. Em vez do método tradicional com moedas ou varetas, basta que o usuário se concentre na sua dúvida e clique no ícone do mundo disponível na plataforma digital para acessar imediatamente uma nova perspectiva sobre o problema. 00:00 / 01:51
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Tudo é Jazz acontece em agosto CAZUZA E AMY WINEHOUSE SÃO OS HOMENAGEADOS DO FESTIVAL TUDO É JAZZ 2026 Revista Mundaréu, 10 de junho de 2026 Criolo será a atração principal do evento que acontece em agosto, em Ouro Preto A 24ª edição do Festival Tudo é Jazz já tem data marcada para acontecer: em 2026 será realizado em Ouro Preto de 14 a 16 de agosto, com entrada gratuita. O evento vai homenagear neste ano Cazuza e Amy Winehouse, dois grandes ícones da música, com diversos shows que vão relembrar grandes sucessos imortais dos dois ídolos. "Essa é a quarta edição que eu assino a direção criativa e imagética do festival e, em todas elas, procurei sempre trazer um nome de fora e um daqui chamando atenção que isso tudo é jazz! Foi assim primeiro com Elza Soares e Nina Simone, depois com Ray Charles e Pixinguinha, ano passado com Ella Fitzgerald e Dolores Duran, e agora Cazuza e Amy Winehouse. A Amy já é sabidamente ligada ao jazz, para muitos ela era considerada a Billie Holiday moderna, a mãe dela tinha uma banda de jazz... E o Cazuza transitou por muitas áreas, inclusive pelo jazz. Então foi essa a ideia desde o início para trazer os dois, Cazuza e Amy”, explica Ronaldo Fraga. A atração principal será o rapper e cantor paulistano Criolo, um dos maiores nomes da nova música brasileira, transitando entre o rap, o samba e a MPB, com músicas que misturam crítica social e poesia. A curadoria é do pianista, compositor e arranjador Gustavo Figueiredo; direção geral do produtor cultural Rud Carvalho da New View Entretenimento e Comunicação; e direção criativa de Ronaldo Fraga.




