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  • Revista Mundaréu

    Santa Rita de Ouro Preto celebra sua padroeira no dia 22 de maio Com fé e tradição, Santa Rita de Ouro Preto celebra sua padroeira no dia 22 de maio Revista Mundaréu, 17 de maio de 2025 Procissão, missa, artesanato, música e a boa comida mineira fazem parte dos festejos O distrito de Santa Rita de Ouro Preto se prepara para mais uma edição da tradicional festa em homenagem à padroeira, Santa Rita de Cássia, a santa das causas impossíveis, celebrada no dia 22 de maio. A programação começa com a missa solene na Matriz que leva seu nome, erguida em 1964 no lugar da antiga capela do século XVIII. Diante do templo, uma escultura em pedra-sabão da própria santa (foto) recebe moradores e visitantes que vêm de longe para acompanhar procissões, cânticos e ritos de fé que marcam a identidade local há séculos. Durante os festejos, é possível degustar pratos típicos da culinária mineira, visitar barracas de artesanato e se encantar com as famosas peças em pedra-sabão — tradição herdada do período colonial e ainda hoje essencial para a economia da região. Uma programação cultural, com shows e apresentações musicais em diferentes estilos populares, completa o clima de confraternização, reunindo famílias, amigos e turistas em torno da fé e da cultura. Santa Rita de Ouro Preto é um distrito que nasceu com a mineração, mas que, ao longo do tempo, encontrou novas formas de se reinventar. Hoje, fé, arte e turismo se entrelaçam, fazendo da pequena localidade um destino acolhedor para quem busca experiências autênticas e contato com a essência mineira. As peças em pedra-sabão, de esculturas sacras a utilitários decorativos, são moldadas com técnica e tradição por artesãos que herdaram os saberes dos antepassados. A extração e o trabalho com o mineral seguem como fonte de renda e expressão cultural para a comunidade, que resiste com criatividade e hospitalidade. Mais do que uma celebração religiosa, a festa de Santa Rita é um testemunho vivo da força de um povo que mantém acesa a chama da memória, da fé e da beleza esculpida nas pedras das montanhas. Com patrocínio da iniciativa privada e suporte governamental, obras na Estação de Engenheiro Corrêa avançam

  • Revista Mundaréu

    De Ouro Preto para todo o Brasil Teatro infantil: Livro da Lua renasce em Ouro Preto e pode ser solicitado em todo o Brasil Revista Mundaréu, 15 de agosto de 2026 Décadas depois de sua primeira edição impressa, O EMPREGO DA LUA, livro de teatro infantil de Victor Louis Stutz, volta a circular a partir de Ouro Preto e pode ser solicitado por leitores de qualquer parte do Brasil. Com 12 livros publicados, sendo 11 destinados ao público infantil — seis deles para teatro —, Victor Louis Stutz construiu uma trajetória dedicada à literatura, à infância e às artes cênicas [ m ais sobre o autor ] A nova edição de O EMPREGO DA LUA reúne diferentes gerações da família do autor em torno de uma história que começou quando Victor tinha apenas 11 anos. Guardado durante anos, o texto foi recuperado em 1982 e ganhou sua primeira montagem teatral com alunos da escola de dança do Grupo Corpo, em Belo Horizonte. Em 1988, outra montagem, com elenco infantil formado por crianças do Colégio Marista Dom Silvério, alcançou projeção regional e chegou a percorrer o circuito oficial de casas de espetáculo da capital mineira. Na década de 1990, a obra chegou ao formato de livro e passou a circular por escolas, bibliotecas e projetos de leitura, alcançando dezenas de milhares de exemplares distribuídos pelo país. Agora, O EMPREGO DA LUA – Livro de Teatro para Crianças renasce em uma edição comemorativa produzida pela Mundaréu Produções. As ilustrações são de Catarina Rangel Stutz, filha do autor, enquanto a versão em inglês foi desenvolvida por Liz Rangel Stutz, também filha de Victor. A publicação retoma ainda uma história familiar ligada à própria trajetória da obra. As novas ilustrações foram produzidas manualmente por Catarina, e a versão em inglês, feita por Liz, partiu de uma tradução inacabada deixada pelo avô das duas, o norte-americano Mike Stutz. A nova edição também marca o início das atividades da Mundaréu Produções na área de design gráfico e editoração de obras literárias. A impressão foi realizada pela Formato Artes Gráfica , em Belo Horizonte, a mesma responsável pela edições publicadas nos anos 1990. A nova edição do livro foi lançada em julho, no largo da Igreja do Pilar, monumento setecentista de Ouro Preto, durante o Festival de Inverno 2026, com apoio do BAZAR FARIA (foto: Mateus Gonçalves) Um livro para ler e colocar em cena Além da leitura, O Emprego da Lua mantém sua característica de texto teatral destinado ao público infantil. A proposta permite que a história seja lida, encenada e trabalhada em escolas, bibliotecas, projetos de leitura e atividades de arte-educação. A nova edição é bilíngue, em português e inglês, permitindo também a montagem de uma versão dramatizada da obra nos dois idiomas. A obra agora integra o Projeto Escola em Cena , iniciativa da Mundaréu Produções que prevê encontros com o autor, sessões de autógrafos e atividades relacionadas à criação literária e à montagem teatral. Sessão de autógrafos em Belo Horizonte O retorno de O Emprego da Lua também será celebrado em Belo Horizonte com uma sessão de autógrafos com o autor, no dia 26 de setembro, sábado, às 10h, durante o Festival Dança em Setembro, evento anual promovido pelo Corpo Escola de Dança . A escolha do festival para a sessão ganha um significado especial na trajetória da obra: foi justamente no universo da dança e do teatro infantil que O EMPREGO DA LUA teve uma de suas primeiras montagens, em 1982, com alunos da escola de dança do Grupo Corpo . Como solicitar o livro A edição está disponível para compra diretamente com a Mundaréu Produções. O pedido pode ser feito pelo WhatsApp Business, com envio pelos Correios para qualquer lugar do Brasil. O Emprego da Lua – Livro de Teatro para Crianças Texto: Victor Louis Stutz Ilustrações: Catarina Rangel Stutz Versão em inglês: Liz Rangel Stutz Produção: Mundaréu Produções Para solicitar seu exemplar, acesse o link de vendas Preço: 38,00 Frete: 7,00 (valor válido para todo o Brasil) >>> CLIQUE PARA SOLICITAR O SEU EXEMPLAR Um livro feito em família: Catarina, Victor e Liz Stutz, responsáveis pela nova edição de O EMPREGO DA LUA (foto: Mateus Gonçalves)

  • Revista Mundaréu

    Revista Mundaréu Cordisburgo Situada a cerca de 120 km de Belo Horizonte, Cordisburgo tem sua origem marcada pela exploração dos bandeirantes e pela fundação do Arraial de Vista Alegre em 1883, pelo Padre João de Santo Antônio (Fotos/Reprodução/Arquivo). Cordisburgo é uma cidade pequena, com menos de 8 mil habitantes, mas é enorme seu valor histórico. Uma de suas principais atrações é a Gruta do Maquiné, descoberta em 1825 pelo fazendeiro Joaquim Maria Maquiné e explorada pelo naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund em 1834. Ali, Lund, que é considerado o “pai da paleontologia brasileira,” realizou escavações e descobriu fósseis de animais pré-históricos que revelaram muito sobre a fauna extinta da América do Sul, como os da Preguiça-Gigante e do Tigre-Dentes-de-Sabre. A Gruta do Maquiné, aberta para visitação, possui cerca de 650 metros de galerias e salões abertos à visitação pública onde é possível admirar as formações rochosas esculpidas pelo tempo: estalactites, estalagmites e outras formações geológicas fascinantes. É um monumento natural protegido que também possui vestígios de ocupação humana pré-histórica, o que a torna um lugar ainda mais formidável. Em Cordisburgo, fica o Museu Casa Guimarães Rosa, que preserva a residência de um dos maiores escritores nacionais de todos os tempos. Passagem obrigatória para os visitantes, o museu oferece uma rica exposição de objetos pessoais, documentos e memórias que retratam a vida e a obra do autor de "Grandes Sertões Veredas" e tantas outros clássicos da literatura brasileira. A conexão com Peter Lund e Guimarães Rosa ainda oferece outros atrativos, como um monumento natural estadual inspirado na trajetória do naturalista. Com uma área de 400 m², possui uma exposição de ossadas fósseis que proporciona aos visitantes uma rica jornada pelo passado. Tem ainda o Zoológico de Pedra "Peter Lund", com réplicas de animais do período Pleistoceno. Outro destaque é o Portal Grande Sertão, localizado na Praça Miguilim, no centro da cidade. Inaugurado em 2010, o portal é composto por esculturas em bronze representando figuras humanas e cenas do sertão, criadas pelo artista Leo Santana. Em carta ao seu pai, João Guimarães Rosa (1908 – 1967) escreveu: ''Creio, firmemente, que os animais têm alma, e que, algum dia, sob não sei que forma, havemos de rever os nossos - aos quais o amor desinteressado uniu, e, ainda mais, talvez o sofrimento''. Por quatro anos o escritor adiou sua posse na Academia Brasileira de Letras. Morreu aos 59 anos, três dias depois de assumir a cadeira número 2

  • Revista Mundaréu

    8 de maio, Dia Nacional do Turismo Santos Dumont e a origem do Dia Nacional do Turismo Revista Mundaréu, 8 de maio de 2025 Em 8 de maio , celebra-se o Dia Nacional do Turismo , data que homenageia não apenas os destinos dos viajantes, mas também as histórias, memórias e personagens que moldam a nossa identidade. Mas, o que Santos Dumont tem a ver com tudo isso? Foi em abril de 1916 que Santos Dumont conheceu as Cataratas do Iguaçu, ficou profundamente impressionado com sua beleza e indignado ao saber que toda aquela área estava em mãos privadas. Dumont tratou de interceder junto a Affonso Camargo, presidente do estado do Paraná — cargo equivalente ao de governador estadual na época —, e seu apelo foi decisivo para a transformação da região em patrimônio público, o que resultaria, mais tarde, na criação do Parque Nacional do Iguaçu. Em 2012, uma lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff oficializou o Dia Nacional do Turismo em 8 de maio, data em que o estado do Paraná, no ano de 1916, solicitou a desapropriação das terras ao redor das cataratas, visando à criação de uma área de utilidade pública — o embrião do que viria a ser um dos principais destinos turísticos do Brasil e Patrimônio Natural da Humanidade. Pratique o turismo, visite Ouro Preto Aproveitamos para celebrar a força simbólica de Santos Dumont como viajante, cidadão e visionário, e homenagear, nesta data, todos que ousam voar com os pés no chão e transformar suas comunidades em destinos de afeto, memória e resistência. Consequentemente, a Revista Mundaréu, que nasceu em Ouro Preto, destino imperdível para quem busca mergulhar na história e na cultura de Minas Gerais, destaca um espaço na cidade patrimônio mundial que acende outra importante conexão: o casarão no bairro Rosário, onde viveu Henrique Dumont, pai de Santos Dumont, sede da tradicional Casa Câmara , que celebrou 80 anos no mês passado. O edifício histórico guarda a herança familiar e as influências que moldaram o jovem Alberto Santos Dumont, e é hoje a residência particular do antiquário Rodrigo Câmara. Possui espaço para exposições, casamentos e eventos, além de uma loja que funciona exclusivamente com visitas agendadas pelo WhatsApp: (31) 99137-8434. Leia também: Rota Jaguara no Festival Internacional de Turismo de Ouro Preto

  • Revista Mundaréu

    Bastidores do FESTUR OURO PRETO 2025 - O que rolou na coletiva de imprensa em Belo Horizonte Coletiva de imprensa do FESTUR 2025 Revista Mundaréu, 13 de maio de 2025 Na terça-feira, 13 de maio, jornalistas se reuniram no Centro de Referência do Queijo Artesanal, no Espaço 356, em Belo Horizonte, para conhecer os detalhes da 5ª edição do FESTUR – Festival Internacional de Turismo e Cultura de Ouro Preto, que será realizada de 4 a 6 de junho, no Centro de Artes e Convenções da UFOP. Reconhecido como um dos principais eventos do setor em Minas Gerais, o festival reunirá profissionais, empreendedores, agentes de viagem, estudantes e o público interessado em turismo e cultura. Participaram do encontro a subsecretária de Estado de Turismo de Minas Gerais, Patrícia Moreira; o secretário de Cultura e Turismo de Ouro Preto, Flávio Malta; Rejane Pelluci Duarte, diretora de Marketing e Projetos da EMC – Empresa Mineira de Comunicação; o secretário de Cultura e Turismo de Barão de Cocais, Décio Júnior; além de representantes de instituições públicas e privadas e de apoiadores institucionais. Com base nas versões anteriores, a programação deste ano deve contemplar rodadas de negócios, experiências gastronômicas, oficinas criativas, painéis temáticos, apresentações culturais e a participação de destinos turísticos de relevância nacional e internacional. A expectativa é de que o FESTUR 2025 amplie sua rede de conexões estratégicas e continue promovendo a integração entre turismo, cultura e desenvolvimento territorial. A coletiva foi aberta com uma apresentação de Elmer Almeida, médico-veterinário, mestre em Zootecnia e consultor técnico do Centro de Referência do Queijo Artesanal de Minas Gerais. Com mais de 25 anos dedicados ao estudo e à valorização dos queijos artesanais de leite cru, Elmer também participará da 2ª edição do FESTUR, em Ouro Preto. Na sequência, a empresária Cássia Neves, CEO da CM Business Hub, e Márcio Abdo de Freitas, CEO e presidente do Ouro Preto e Circuito do Ouro Convention & Visitors Bureau, apresentaram as metas da edição 2025. Desde sua criação, o FESTUR consolidou-se como uma vitrine para o empreendedorismo e o turismo mineiro. Em suas edições anteriores, contou com representantes de 120 cidades, 15 regiões turísticas e 14 países, reuniu mais de 200 expositores e atraiu cerca de 12 mil visitantes. Cássia Neves, idealizadora e produtora do Festur, e Márcio Abdo de Freitas, com o historiador Roger Alves Vieira (ao centro), que coordenou o processo de candidatura dos modos de fazer do Queijo Minas Artesanal a Patrimônio Imaterial da Humanidade junto à Unesco, em 2022. ROTA JAGUARA NO FESTUR Durante o encontro, Cássia Neves informou que a edição de 2025 contará com a participação de agentes da CVC, com atividades dedicadas à Rota Turística Jaguara com vistas à futura comercialização do destino. Destacou ainda que será apresentado, durante o evento, o audiolivro "Histórias, memórias e mistérios da Rota Turística Jaguara", do escritor Victor Stutz. Com narração de Daiana Augusto, a obra celebra o circuito histórico, cultural e natural formado pelos municípios de Itabirito, Rio Acima, Ouro Preto, Barão de Cocais e Santa Bárbara. Com patrocínio da Ferro Puro Mineração, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o livro será lançado no segundo semestre de 2025 em novos formatos: eBook e uma edição bilíngue impressa, com imagens de Ane Souz e o prefácio do secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira. “Nas palavras de Victor Louis Stutz e nas imagens de Ane Souz, o leitor é conduzido não apenas por estradas de terra e vilarejos escondidos, mas por uma jornada de sensibilização. Mais do que um destino, é um manifesto sobre o futuro do turismo: um turismo que respeita, que preserva, que emociona”, escreveu o secretário. A coordenação geral do projeto é de Gilson Fernandes Antunes Martins, da Holofote Cultural, a produção executiva é de José Carlos Oliveira e acoordenação de produção de Ubiraney Silva. A Rota Turística Jaguara é uma iniciativa do Grupo Avante, voltada ao desenvolvimento econômico e social das comunidades por meio do turismo de experiências, com foco na sustentabilidade e na base comunitária. A proposta visa fortalecer a cadeia produtiva regional e diversificar a economia local de forma integrada e participativa. OURO PRETO, UM FESTIVAL DE FESTIVAIS “Ouro Preto, quando as temperaturas começam a cair, é sinal de temporada de festivais.” É assim que o secretário de Cultura e Turismo do município, Flávio Malta, descreveu para a Revista Mundaréu o início de um dos períodos mais intensos do calendário cultural da cidade histórica, reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade. Segundo ele, neste ano, a temporada se abre oficialmente com o FESTUR – Festival Internacional de Turismo e Cultura de Ouro Preto, mas a programação também se estende por diversos campos da arte e da cultura: “Vem aí o festival de Fado, o festival de Jazz, o festival de Cinema, o Festival de Inverno e o festival da Casa da Ópera”, enumera. Para ele, a força desses encontros vai muito além da celebração: “O festival não é só a festa. O festival é aprendizado, é contato, é formação de público, é formação de inteligência. É um novo olhar para a cultura.” Em sua visão, a diversidade das programações reflete a pluralidade do público e a vocação artística da cidade: “Se a pessoa é interessada em cinema, vai encontrar isso no festival de cinema. Se gosta de jazz, samba, hip-hop ou funk, vai encontrar tudo isso nos próximos festivais. Se tem apreço pela culinária, teremos eventos que destacam as receitas tradicionais, os ingredientes locais e a cozinha dos distritos, que é muito própria, muito particular.” Flávio destaca ainda que essas manifestações ajudam a fortalecer uma identidade cultural rica e em constante diálogo com o presente: “Isso tudo forma a possibilidade que Ouro Preto oferece nas mais variadas alternativas de conhecimento, cultura e saberes.” Fotos: Patrick Araújo (PMOP) e Nino Stutz Ouro Preto recebe nova edição do "Fado em Cidades Históricas"

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    INHAC amplia parcerias para a formação em turismo e gastronomia e anuncia hotel-escola em Nova Lima INHAC amplia parcerias para a formação em turismo e gastronomia e anuncia hotel-escola em Nova Lima Revista Mundaréu, 15 de agosto de 2025 Luiz Henrique Medeiros (diretor de Territórios e Uso Futuro da Vale), Sarah Rocha (diretora-executiva do INHAC), Fabiana Cruz (diretora de Minas Paralisadas da Vale) e Gustavo Roque (gerente-geral de Uso Futuro da Vale), na assinatura do Memorando de Entendimentos entre as duas instituições. Depois de assinar, na semana passada, um protocolo de intenções com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para cooperação na formação social, educacional e profissional dos jovens atendidos, o Instituto de Hospitalidade e Artes Culinárias (INHAC) celebra agora uma nova parceria. Desta vez, com a Vale, para implantar um hotel-escola em Nova Lima. Com previsão de formar cerca de 600 novos profissionais por ano, o empreendimento será instalado em área da Mina de Águas Claras e deverá entrar em operação em até dois anos. O primeiro passo para sua concretização foi a assinatura de um Memorando de Entendimentos entre as instituições. O projeto integra cursos técnicos e profissionalizantes gratuitos, voltados para atender à crescente demanda de mão de obra qualificada no setor de turismo e hospitalidade de Minas Gerais. O hotel-escola terá estrutura de um empreendimento real, com metodologia pedagógica do INHAC, permitindo que os alunos aprendam na prática as operações do dia a dia. Contará ainda com espaços multiuso para eventos culturais e uma exposição de longa permanência sobre o café, preservando a tradição da hospitalidade mineira e a identidade que o grão representa para o estado. Mais sobre o INHAC Criado em 2023 pelo chef Leo Paixão, o INHAC é uma escola social de gastronomia que integra o Programa Trilhas de Futuro do Governo de Minas. Oferece anualmente 80 vagas gratuitas para o Curso Técnico em Gastronomia (960 horas), reconhecido pelo Conselho Estadual de Educação. Sua estrutura inclui duas cozinhas-laboratório didáticas, biblioteca de gastronomia, salas de aula, mezanino gourmet e área de convivência. O instituto funciona integrado ao Centro de Referência do Queijo Artesanal (CRQA), formando um centro cultural dedicado à cozinha mineira, aos queijos artesanais de Minas e à inserção produtiva de jovens por meio da gastronomia. Apoio institucional O CRQA e o INHAC contam com patrocínio de Gerdau, Instituto Unimed-BH, Cemig, Anglo American, AngloGold Ashanti, Sicoob, Geosol, EPO e Espaço 356. Realização do Ministério da Cultura e do Governo de Minas Gerais, por meio das Leis Federal e Estadual de Incentivo à Cultura. CINEMA NACIONAL “Nada”, o primeiro longa de Adriano Guimarães, protagonizado por Bel Kowarick e pela mineira Denise Stutz

  • Revista Mundaréu

    Museu de Mariana, MG Museu de Mariana apresenta calendário do biênio 2025-2026 Nesta terça-feira, 13 de maio, o Museu de Mariana apresenta ao público a programação cultural para o biênio 2025-2026, com patrocínio master do Instituto Cultural Vale. A partir das 17h, será lançado o novo Cardápio de Oficinas, com destaque para atividades educativas como Patrimônio de Mariana: entre cartas e memórias e Se esse bairro fosse meu: caminhos e lembranças, voltadas à construção de vínculos com o território, explorando as paisagens afetivas e as múltiplas camadas de pertencimento que atravessam a cidade. Na mesma ocasião, será inaugurada a exposição temporária Por onde FLOR , fruto de uma criação coletiva das bordadeiras marianenses do Movimento Renovador. Inspiradas pela flora da região, as artistas transformam flores em narrativas visuais bordadas que percorrem ruas, quintais e colinas da cidade. Com 19 espécies escolhidas, a mostra propõe um olhar poético sobre Mariana, entrelaçando memória, afeto e sentidos. Às 20h, o auditório do museu recebe a estreia da nova temporada do programa Sílabas e Sons . O convidado da noite é o músico, compositor e diretor Pedro Luís, que conduz um bate-papo musical mediado pelo professor e pesquisador Júlio Diniz. Criador de projetos como o Monobloco e o espetáculo Elza , Pedro propõe um encontro sensível entre palavra e melodia, marcando o início de mais um ciclo de experiências entre música e literatura. Os ingressos são gratuitos e estão disponíveis pela plataforma Sympla, mediante doação de 1kg de alimento não perecível. Sobre o Museu O Museu de Mariana é um espaço de representação, interpretação e projeção da cidade, atravessado por especificidades culturais, sociais, históricas, geográficas, geológicas e político-religiosas do município. A partir de um olhar simultâneo para o passado e o presente, a instituição busca preservar e valorizar a história, a cultura e a identidade de Mariana, primeira capital de Minas Gerais e uma das mais tradicionais cidades do estado. Instalado na antiga Casa do Conde de Assumar, sede do primeiro palácio episcopal de Mariana, o museu se propõe como um espaço da cidade: toma a própria Mariana como objeto de estudo, memória e reflexão. A programação é realizada com apoio da Prefeitura de Mariana, gestão do Instituto Cultural Aurum e incentivo da Lei Rouanet, do Governo Federal. Museu de Mariana - Horário de funcionamento: Segunda-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo: das 10h às 18h (entrada inteira: R$10 / meia: R$5) Terça-feira: das 13h às 21h (entrada gratuita) Quarta-feira: fechado Itabirito, Barão de Cocais e Santa Bárbara recebem o festival que celebra a culinária mineira e valoriza o patrimônio cultural da região

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    Denise Perdigão - Pesquisadora de atuação internacional reforça o ensino de Arte no IFMG Ouro Preto ganha reforço no ensino de arte com pesquisadora de atuação internacional no IFMG Revista Mundaréu, 24 de maio de 2026 Denise Perdigão Pereira é doutora em Educação e em Educação Artística pela Universidade do Porto, e a presença da professora também fortalece a cena cultural de Ouro Preto. A professora Denise Perdigão (Foto: Eduardo Trópia) Ouro Preto sempre recebeu pesquisadores, artistas e intelectuais atraídos pela força histórica e cultural de seu patrimônio. Recentemente, porém, a cidade passou a contar com a presença constante e ativa da professora e pesquisadora Denise Perdigão Pereira, que integra o quadro de docentes do Instituto Federal de Minas Gerais Campus Ouro Preto e chega à instituição trazendo uma enorme bagagem moldada em arte, educação e experiências culturais desenvolvidas no Brasil, em Portugal e em países africanos de língua portuguesa. Doutora em Educação e em Educação Artística pela Universidade do Porto, em parceria acadêmica com a Universidade Federal de Minas Gerais, Denise desenvolve pesquisas voltadas ao ensino de arte, à formação de professores e às relações entre escola, cultura e comunidade. Seus estudos ganharam destaque especialmente pelas experiências realizadas em Cabo Verde, país africano formado por ilhas no Oceano Atlântico, onde investigou práticas educativas ligadas à arte e à participação social. No ensaio “Entre Brasil, Portugal e Cabo Verde: reflexões sobre os itinerários de uma pesquisa em Educação Artística ”, a pesquisadora apresenta o caminho percorrido durante seu doutorado, centrado na análise da M_EIA – Mindelo Escola Internacional de Arte, localizada na ilha de São Vicente. O estudo mostra como a arte pode criar aproximações entre escola e comunidade, valorizando saberes locais e experiências coletivas. Ao longo da pesquisa, Denise reuniu entrevistas com professores, estudantes, gestores e moradores das comunidades cabo-verdianas, além de documentos e registros das atividades desenvolvidas pela instituição. O trabalho também reflete sobre os desafios encontrados durante sua trajetória acadêmica e profissional, mostrando como as dificuldades e os imprevistos podem transformar o próprio processo de construção do conhecimento. Sua trajetória inclui ainda passagens pela Universidade do Estado de Minas Gerais, onde trabalhou com disciplinas ligadas ao ensino de arte, pesquisa científica e formação docente. Sua produção acadêmica reúne estudos sobre currículo, ensino de arte, grafismo infantil e práticas educativas em diferentes contextos, além de pesquisas sobre cultura e expressões artísticas nos países africanos de língua portuguesa. A professora do IFMG atua nos cursos integrados de Administração, Informática e Metalurgia, além do curso de Pedagogia. Para que estudantes, professores e leitores da cidade possam conhecê-la melhor, Denise Perdigão Pereira é a convidada da nova entrevista da Revista Mundaréu. Denise, em visita ao Templo de Karnak, em Luxor, no Egito Entrevista com Denise REVISTA MUNDARÉU - Em um tempo marcado pelas tecnologias e pelas mudanças rápidas no cotidiano, qual você acredita ser o papel da arte na formação de crianças e jovens dentro da escola? DENISE PERDIGÃO - O papel da arte na educação tem sido tema discutido por filósofos, desde a antiguidade clássica, como em Platão e Aristóteles. Na modernidade, educadores e filósofos como John Dewey, nos Estados Unidos, Franz Cizek, na Áustria, Herbert Head, no Reino Unido e Anísio Teixeira, Mário de Andrade, Aníbal Mattos e Cecília Meireles, no Brasil, deram ênfase à centralidade da arte na formação de crianças e jovens. Apesar das contribuições de inestimável valor dadas por estes e outros filósofos, educadores e artistas para se pensar na importância da arte no processo formativo de crianças e jovens, os currículos das escolas, em geral, refletem uma concepção de formação humana restrita, na medida em que conferem um espaço reduzido a arte como forma de conhecimento. Assim, a importância de uma formação omnilateral, presente nos discursos das autoridades e gestores educacionais, infelizmente, não tem sido colocada em prática, ainda nos dias de hoje. Por outro lado, a importância da arte na educação pode ser percebida em diversas dimensões da formação de crianças e jovens. O fazer artístico, um dos eixos centrais do ensino de arte, permite que a criança ou o jovem dê forma a um ampla gama de experiências sensoriais e de informações, recolhidas de seu meio, de modo a integrá-las às suas necessidades estéticas, naquele momento. Sobretudo no momento atual, em que percebemos um embotamento de nossa sensibilidade, decorrente do excesso de estímulos que recebemos do mundo à nossa volta, o fazer artístico deveria ocupar espaço chave na educação. O prazer passivo e imediato, proporcionado pelas telas, por ser tão sedutor, principalmente para os mais jovens, oferece consideráveis prejuízos para a formação de pessoas capazes de transformar a própria realidade. Como professora de arte percebo que o fazer artístico propicia enorme satisfação a crianças e jovens ao se sentirem capazes de criarem algo com o seu próprio corpo e intelecto. Outro eixo orientador do ensino de arte refere-se à fruição e contextualização das obras de arte. Por meio do contato com expressões artísticas de diferentes povos e culturas, produzidas ao longo dos tempos, é possível acessar uma multiplicidade de concepções sobre o mundo, bem como partilharmos aquilo que nos une como seres humanos, ou seja, nossas dores, desejos, angústias, contradições e esperanças. Neste sentido, a arte enriquece tanto a nossa experiência subjetiva como a nossa experiência coletiva. Ela pode nos proporcionar maior flexibilidade para lidarmos com os nossos próprios dilemas e para acolher as diferentes formas de ser dos outros, na medida em que amplia nossos horizontes, nossa forma de pensar sobre o mundo. REVISTA MUNDARÉU - Ao longo de sua trajetória, você sempre aproximou arte e educação. De que maneira essas experiências podem ajudar os jovens a desenvolver senso de responsabilidade, convivência coletiva e consciência cidadã? DENISE PERDIGÃO - Há mais de nove anos, tenho trabalhado no IFMG com jovens do Ensino Médio Técnico Profissionalizante. Percebo que a arte tem ajudado muitos alunos a enfrentarem desafios cotidianos, incluindo os dilemas da escolha profissional. Vivemos em um mundo saturado de estímulos, informações e cobranças por desempenho em todos os aspectos de nossas vidas: acadêmico, profissional, físico e até mesmo afetivo. Este excesso de cobrança tem afetado a saúde mental dos jovens de maneira assustadora. "O ensino de arte, dependendo do modo como é conduzido, pode contribuir para o questionamento desta busca incessante pela produtividade que tem invadido inclusive a nossa vida íntima. A arte pode proporcionar o aprofundamento do conhecimento de nós mesmos, de nossos dilemas e desejos mais profundos. Por meio do fazer artístico, o jovem desenvolve o seu potencial criativo, potencial este que pode ser expandido para várias esferas de sua vida." No ano de 2019, me lembro de um aluno, muito inteligente, cursando o terceiro ano do Ensino Médio, ter dito que acreditava, antes, que arte era coisa de gente à toa e de como a visão dele havia mudado durante as nossas aulas. O curioso é que, justamente naquele dia, estávamos em um espaço extraescolar, em um momento de confraternização e de grande descontração. O rapaz havia entendido que podemos experimentar o tempo de uma forma mais desacelerada, sem tantas pressões, que podemos romper com esta lógica, preponderante no meio escolar, de que só faço algo para receber uma nota/pontuação em troca. Em outras palavras, ele havia aprimorado a sua sensibilidade para perceber que a qualidade das experiências que temos, no nosso dia a dia, pode nos aproximar mais de nós mesmos e do outro. Este mesmo rapaz, passou a integrar um projeto de ensino que eu coordenava na época, voltado para o desenho. E não tendo muita afinidade com o desenho, descobriu, por outro lado, um forte interesse pela fotografia, por meio do contato com uma câmera fotográfica profissional que um colega, também integrante do projeto de ensino, sempre levava para a escola. Especificamente sobre as escolhas profissionais, por meio das aulas de arte, vários alunos consolidam o desejo, muitas vezes hesitante, de fazer um curso superior na área de arte ou em áreas afins. Tenho ex-alunos que cursaram ou estão cursando Artes Visuais, Design de Modas, Cinema, Artes Cênicas e Jogos Digitais em Universidades como a UFOP, UFMG, USP, UNICAMP, PUC MINAS e até no IF Sudeste Muriaé. Outros alunos, preferem seguir carreira nas áreas de Ciências Exatas, Biológicas e Humanas e ter a arte como um hobby, escolha que também acolho e incentivo. O importante é que os jovens levem uma bagagem mais ampla e rica sobre a experiência humana, sobre a nossa capacidade imaginativa e inventiva, não só para o futuro exercício da profissão, mas para a vida como um todo. REVISTA MUNDARÉU - Em sua visão, de que forma a relação entre escola e comunidade fortalece o processo de ensino e aprendizagem? Qual é o papel desse diálogo? DENISE PERDIGÃO - A aproximação entre escola e comunidade permite o desenvolvimento de uma educação pautada no diálogo e na problematização da realidade social, conforme defendido por Paulo Freire. A adoção de tal perspectiva é, mais do que nunca, necessária para o enfrentamento dos desafios que se colocam para a educação do século XXI, já que o modelo tradicional de ensino, no qual o professor atua como mero transmissor de conhecimentos, não se sustenta mais. O fácil acesso à informação, por meio da internet, desloca o papel da escola de detentora do conhecimento para uma mediadora crítica que deve auxiliar os estudantes, dentre outras coisas, a buscar, filtrar e transformar dados em conhecimento. Para que este conhecimento tenha um significado mais amplo para a vida do aluno é necessário que se promova uma aproximação entre o currículo escolar e a realidade social. Deste modo, a cultura, os saberes e os problemas que afetam a comunidade devem estar presentes de forma viva no meio escolar, orientando a seleção de conteúdos, a promoção de debates e o desenvolvimento de projetos de ensino, pesquisa e extensão. Mas para que este trabalho aconteça de maneira significativa e respeitosa é preciso que educadores e pesquisadores tenham sensibilidade para construir um diálogo verdadeiro com a comunidade, em vez de imporem, com as melhores das intenções, muitas vezes, a sua própria perspectiva sobre a realidade social. Paulo Freire alertava, nesse sentido, que o próprio conceito de ‘Extensão’, em sua acepção tradicional, está ligado a práticas de ‘invasão cultural’, traduzindo-se em uma visão colonizadora e instrumental da educação. Na perspectiva da ‘Comunicação’, por outro lado, educador e educando aprendem juntos, transformando o processo educativo em um processo humanista e democrático. REVISTA MUNDARÉU - Como enxerga Ouro Preto dentro desse cenário internacional de patrimônio histórico e artístico? E como tem sido, para você, viver e atuar profissionalmente na cidade? DENISE PERDIGÃO - A cidade de Ouro Preto representa precioso valor histórico e artístico para os cenários nacional e internacional. Como profissional da arte, destaco a originalidade do barroco aqui desenvolvido, aspecto que tem sido apontado por diversos especialistas da área. Isto porque a adaptação das técnicas europeias a sensibilidade luso-afro-brasileira e o uso de matérias-primas locais, como a pedra sabão, resultaram na criação de um estilo único na história da arte. Além disso, o traçado urbano espontâneo de Ouro Preto, diferente de cidades de colonização espanhola, como o centro histórico da Cidade do México ou de Cusco, com traçados em tabuleiro de xadrez, confere à cidade ouro-pretana uma paisagem única com seus telhados enfileirados observados de cima, ruas extremamente íngremes, ladeiras sinuosas, becos estreitos, e suas vistas surpreendentes. "Viver e atuar profissionalmente em Ouro Preto se conecta, de diversas formas, à minha necessidade de explorar as matizes culturais que formam a arte brasileira, especialmente a arte mineira." Entre os anos de 2014 e 2016, época em que realizei o doutorado, experimentei viver entre Brasil, na cidade de Belo Horizonte, Portugal, na cidade do Porto e Cabo Verde, nas ilhas de São Vicente e Santo Antão. A experiência me proporcionou, não apenas aprofundar meus estudos no campo do ensino de arte, mas também vivenciar, em alguma medida, as complexas e desafiadoras relações de trocas e tensões culturais entre as matrizes brasileira, portuguesa e africana. Esse foi um processo que me exigiu muito, sob diversos aspectos, mas que, além disso, me trouxe grandes e ricos aprendizados. No final do ano de 2022, quando optei por deixar a cidade de Ouro Branco, senti que viver em Ouro Preto seria uma oportunidade de completar o ciclo de encontros, iniciado nos anos de 2014, 2015 e 2016, com vários elementos históricos e culturais que contribuíram para o desenvolvimento de nossas expressões artísticas mais valiosas. A cidade de Ouro Preto pulsa arte e cultura para além de seu riquíssimo patrimônio material, algo que me encanta. Acho belo e divertido, por exemplo, acompanhar os cortejos dos Zé-Pereiras e perceber a fusão de elementos africanos e portugueses em uma manifestação cultural tão antiga, mas ao mesmo tempo, viva nos dias de hoje. Este tipo de experiência, proporcionada pela Cidade de Ouro Preto, nesta e em tantas outras manifestações culturais que acontecem ao longo de todo o ano, me transporta para a história de nossos antepassados. Nestas ocasiões, fico a imaginar as injustiças, as lutas e as conquistas, pelas quais passaram. Vejo estas histórias a atravessarem os portais do tempo e ecoarem entre nós, por meio das danças, dos sons, dos rostos suados, nos esforços de subir as ladeiras... Muitas vezes, noto a presença de meus alunos entre membros de uma banda de música, na exibição de alguma dança contemporânea pelas ruas ou simplesmente na torcida pela sua escola de samba no carnaval. Essas experiências me enriquecem como educadora e como profissional da arte pela forma orgânica como se dão em minha vida em Ouro Preto e por me fazerem celebrar, em meu íntimo, a beleza da diversidade. Poderia citar inúmeras experiências que me fazem acreditar que Ouro Preto é uma das cidades mais especiais que já conheci. Mas, para finalizar, como ex-aluna e ex-professora da Escola Guignard, da UEMG, gostaria de registrar meu contentamento por viver na mesma cidade escolhida pelo artista Alberto da Veiga Guignard para morar durante importantes anos da vida dele. Gosto de contemplar a paisagem envolta pela neblina, o pico do Itacolomi, as serras, as ladeiras, os casarios e seus telhados, as igrejas com suas torres sineiras. Imagino o encantamento de Guignard a admirar cidade tão pitoresca, encantamento este que nos legou obras de arte que expressam com primor a alma de Ouro Preto. REVISTA MUNDARÉU - Em julho de 2026, Ouro Preto completa 315 anos. Embora seja uma cidade relativamente jovem quando comparada a lugares como Cairo, com mais de mil anos de história, Barcelona, fundada na Antiguidade, ou Cusco, antiga capital do Império Inca, Ouro Preto possui um dos mais importantes conjuntos históricos do Brasil. Depois de conhecer diferentes patrimônios culturais pelo mundo, como você avalia os desafios da preservação dos bens culturais em Ouro Preto e no Brasil atualmente? DENISE PERDIGÃO - Uma das formas mais importantes de preservação do patrimônio cultural é o tombamento, pois ele permite a proteção dos bens, pelo poder público, para que não sejam destruídos ou modificados. Muitos municípios brasileiros, entretanto, não dispõem de equipes técnicas capacitadas ou normas regulamentares que possibilitem a implementação da legislação de proteção ao patrimônio cultural. "Outro desafio para a preservação de bens culturais no Brasil, refere-se às limitações financeiras e orçamentárias, destinadas ao IPHAN, afetando a fiscalização, a conservação de acervos e a prevenção de desastres como o trágico incêndio ocorrido no Museu Nacional do Rio de Janeiro, no ano de 2018, ou o deslizamento do Morro da Forca, em Ouro Preto, no ano de 2022. Os dois desastres resultaram, em diferentes proporções, em perdas irreparáveis para o Patrimônio Histórico e Cultural Nacional." Cabe aqui ressaltar também que o excesso de burocracia, com seus longos processos de tombamento ou liberação de obras de restauro, cria entraves para uma ação rápida e preventiva. Em Ouro Preto, a estes desafios, somam-se algumas particularidades da cidade ligadas à sua topografia, tais como a constante ameaça à estabilidade das encostas ou o conflito entre a estrutura viária do século XVII e o fluxo intenso de veículos, nos dias de hoje. Os riscos de incêndio em edificações antigas também colocam a necessidade de técnicas modernas de prevenção de fogo, bem como o monitoramento contínuo. Novamente, nos deparamos com desafios orçamentários importantes. "Ao pensarmos na realidade nacional, outro ponto de reflexão relevante sobre nosso patrimônio cultural refere-se a necessidade de revisão das políticas de preservação, historicamente centradas na arquitetura de matriz europeia." Percebo, neste sentido, que estamos muito atrás de outros países latinos como o Peru e, sobretudo, o México que têm investido grandes esforços na preservação e valorização da arte pré-colombiana. Assim, a ampliação da valorização dos bens culturais materiais e imateriais das matrizes indígenas e afro-brasileiras deve ser uma medida urgente em nosso país. Por fim, como profissional do campo do ensino de arte, saliento que estes desafios só poderão ser superados a partir de uma Educação Patrimonial voltada para o desenvolvimento da responsabilidade social, da consciência de que os bens culturais não pertencem apenas ao Estado ou às elites, mas as comunidades como um todo. É preciso que a população esteja implicada nas reivindicações junto ao Poder Público para a aplicação das leis de proteção aos bens culturais e para a correta destinação de verbas ao setor. A Educação Patrimonial é um importante instrumento para o reconhecimento e valorização de nossa história e de nossos antepassados.

  • Revista Mundaréu

    O Emprego da Lua – Peça de teatro infantil ganha edição comemorativa O EMPREGO DA LUA Livro de teatro infantil ganha edição comemorativa feita em família Revista Mundaréu, 20 de junho de 2026 Décimo segundo livro de Victor Louis Stutz, que reúne nova geração da família em torno da peça escrita na infância, será lançado em julho. Foto:Mateus Gonçalves @teus.foto Trinta anos após sua primeira edição impressa, O Emprego da Lua, de Victor Louis Stutz, retorna ao público em uma nova publicação que reúne diferentes gerações de uma mesma família. O livro chega às livrarias em julho com ilustrações de Catarina Rangel Stutz e versão dramatizada em inglês de Liz Rangel Stutz. A história da peça começou muito antes de sua estreia editorial. Victor escreveu o texto quando tinha apenas 11 anos de idade. Durante anos, o manuscrito permaneceu guardado até ser recuperado em 1982, quando recebeu sua primeira montagem teatral com alunos da escola de dança do Grupo Corpo, em Belo Horizonte. Na década de 1990, a obra foi publicada em livro e passou a circular em escolas, bibliotecas e projetos de leitura. Em São Paulo, foi adotada pela Secretaria da Educação do Estado e incorporada ao acervo da rede pública. Ao longo dos anos, alcançou sucessivas edições e dezenas de milhares de exemplares distribuídos pelo país. Em 1999, a peça voltou aos palcos em uma montagem musical realizada pelo Corpo Escola de Dança, com direção cênica e participação do autor. A nova edição do livro da Lua traz ilustrações produzidas manualmente por Catarina Rangel Stutz. Já a adaptação para o inglês foi desenvolvida por Liz Rangel Stutz a partir de uma tradução inacabada deixada por seu avô, o norte-americano Mike Stutz (1925–2015). A publicação marca o início das atividades da Mundaréu Produções na área de design gráfico e editoração de obras literárias e está sendo impressa pela Formato, em Belo Horizonte, mesma gráfica responsável pelas edições publicadas nos anos 1990. O lançamento está previsto para julho, em Ouro Preto, durante o Festival de Inverno, que neste ano homenageia Annamélia Lopes, artista, gravadora e educadora cuja trajetória mantém forte vínculo com a cidade. Catarina e Liz são netas de Annamélia, que completaria 90 anos em 2026. No segundo semestre, a nova edição também deverá ser apresentada no Corpo Escola de Dança, em Belo Horizonte, retomando a ligação histórica da obra com a instituição onde sua trajetória pública começou. Liz Rangel Stutz, Victor Louis Stutz e Catarina Rangel Stutz. Foto:Mateus Gonçalves @teus.foto PROJETO ESCOLA EM CENA "O EMPREGO DA LUA" A G E N D A DIA 26 DE SETEMBRO, 10 HORAS, NO CORPO ESCOLA DE DANÇA (Festival Dança em Setembro) Avenida Bandeirantes, 866, Mangabeiras - Belo Horizonte, MG

  • Ouro Preto | Revista Mundaréu

    Palácio D’Ouro, Instituto Yara Tupinambá e Ajê Bistrô Bar trazem para Ouro Preto a exposição “João-Congo”, de Valdelice Neves Revista Mundaréu, 08 de fevereiro 2025 Com abertura no dia 13 de fevereiro, às 16h30, no Centro Cultural Palácio d’Ouro, em Ouro Preto, a mostra “João-Congo”, de Valdelice Neves, traz obras que dialogam com a natureza, exploram diferentes linguagens artísticas e refletem uma profunda pesquisa da artista sobre “João-Congo”, pássaro da Amazônia que a inspira há anos. Valdelice Neves é artista visual e escritora, com uma trajetória marcada pelo aprofundamento em técnicas de gravura em metal, escultura, pintura, vídeo e performance. Formada em Artes Plásticas pela Escola Guignard, especializou-se em Filosofia da Arte, Museologia e Arte Contemporânea. Seu trabalho recebeu reconhecimento e prêmios no Brasil e no exterior. Durante a abertura, será realizada uma sessão de autógrafos do livro "João-Congo, o Príncipe da Floresta", uma fábula ecológica da artista, publicação relançada agora com um novo prefácio escrito por Marcelo Xavier, autor de mais de 20 livros e duas vezes ganhador do Prêmio Jabuti. A exposição permanecerá aberta ao público de 14 de fevereiro a 16 de abril, no Palácio d’Ouro, um espaço cultural criado pelo antiquário Edson Toledo, dedicado à preservação da história da cidade e à divulgação da cultura e das artes. Além da programação artística, o local ainda oferece visitas guiadas previamente agendadas aos seus luxuosos espaços, que mantêm características originais da época do Ciclo do Ouro em Minas Gerais. Situado na Rua Conselheiro Quintiliano, 627, no bairro Lajes, em Ouro Preto, o Palácio d’Ouro reabriu suas portas em 2022, após quase 15 anos fechado, consolidando-se como um importante espaço cultural da histórica cidade. Confira também Novas imagens da expedição pela Rota Turística Jaguara Rota Jaguara

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